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Marcos Resende Poemas

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Oásis

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Por favor, tragam-me urgente um oásis!
Preciso de repouso;
Minha cabeça doi
Meus ossos estalam
e estou cansado como dez operáros de volta do serviço.


Tragam-me urgente um oásis!

Cem almofadas macias,
e a mão suave da garota da esquina,
que não é calejada como a minha,
e pode me ensinar um caminho seguro ao sono sem pesadelo.

Eu quero um oásis enorme!
Não uma miragem fria.
Um oásis mil-e-uma-noites.
Com odaliscas dançando...
Com camelos, beduínos, gênios, tapetes voadores.
E  debaixo das palmeiras,
numa tenda de couro,
vou tomar leite de cabra,
vou dormir a noite inteira,
e acordar beijado pela brisa;
pela mesma brisa mansa,
que balança suavemente as palmeiras do deserto.

Não têm um oásis grande?

Não precisa ser tão grande.
Um pequeno, mesmo, serve.
Um oásis que me caiba apenas a cabeça,
e me deixe repousar os pensamentos;
que me faça esquecer de mim
e de tudo o que envolve minha matéria.

Tragam-me urgente um oásis!
Estou farto disto tudo!
Desta vida deserta sem esperança de água.
Doem-me o corpo, a perna, os pés.
Minha garganta está seca,
e a minha parte espiritual, dolorida, com se pudesse sentir. 

Não tem oásis nenhum?
Nem mesmo desse tamanho?

Então, lhes suplico, enfim:
Apaguem todas as luzes...
Emprestem-me um travesseiro,
me dêem um colchão macio,
e ordenem total silêncio.

E antes que eu adormeça:
tragam-me água serena e fresca,
com gosto de água do poço do meu oásis frustrado.


Varginha, 1966

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